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quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

SORTE DAS CRIANÇAS APÓS A MORTE




Não é pelo fato de uma criança ter morrido em tenra idade, e que não teve tempo de fazer nenhum mal na Terra, que agora pertence ao grau dos Espíritos Superiores, porque se não fez o mal, também não fez o bem, e Deus não o afasta das provas que porventura terá que passar. Se é puro, não é pelo fato de ter sido criança, mas porque já se havia adiantado.



A vida se interrompe com frequência na infância porque a duração da vida da criança pode ser, para o seu Espírito, o complemento de uma vida interrompida antes do termo devido, e sua morte é frequentemente uma prova ou uma expiação para os pais.



O Espírito de uma criança morta em tenra idade, sucede o recomeço de uma nova existência.



Se o homem só tivesse uma existência, e se após essa sua sorte fosse fixada para a eternidade, qual seria o merecimento da metade da espécie humana, que morre em tenra idade, para gozar sem esforço da felicidade eterna? E com que direito seria ela libertada das condições, quase sempre duras impostas à outra metade? Uma tal ordem de coisas não poderia estar de acordo com a justiça de Deus. Pela reencarnação faz-se a igualdade para todos: o futuro pertence a todos, sem exceção e sem favoritismo, e os que chegaram por último só poderão queixar-se de si mesmos. O homem deve ter o mérito das suas ações, como tem a sua responsabilidade.



Não é, aliás, razoável, considerar-se a infância como um estado de inocência. Não se veem crianças dotadas dos piores instintos, numa idade em que a educação ainda não pode exercer a sua influência? Não se veem algumas que parecem trazer inatos a astúcia, a falsidade, a perfídia, o instinto mesmo do roubo e do assassínio, e isso não obstante os bons exemplos do meio? A lei civil absolve os seus erros, por considerar que elas agem mais instintivamente do que por deliberado propósito. Mas de onde podem provir esses instintos, tão diferentes entre as crianças da mesma idade, educadas nas mesmas condições e submetidas às mesmas influências? De onde vem essa perversidade precoce, a não ser da inferioridade do Espírito, pois que a educação nada tem com ela?



Aqueles que são viciosos, e que progrediram menos e tem então de sofrer as consequências, não dos seus atos da infância, mas das suas existências anteriores. É assim que a lei se mostra a mesma para todos e a justiça de Deus a todos abrange.



Se a existência atual fosse a única e só ela decidisse o futuro da alma na eternidade, qual seria a sorte das crianças que morrem em tenra idade? Não havendo praticado nem o bem nem o mal, não merecem nem recompensas nem punições. Segundo as palavras do Cristo, sendo cada um recompensado conforme suas obras, não tem direito à felicidade perfeita dos anjos nem merecem ser afastadas dela. Basta dizer que poderão, em uma outra encarnação, realizar o que não puderam fazer na que foi abreviada, e já não haverá mais exceções.



Pelo mesmo motivo, qual seria a sorte dos cretinos e idiotas? Não tendo consciência do bem nem do mal, eles não tem nenhuma responsabilidade pelos seus atos. Seria Deus justo e bom criando almas estúpidas para votá-las a uma existência miserável e sem compensação? Admitindo-se, porém, que a alma do cretino e do idiota é um Espírito em punição num corpo sem capacidade para transmitir-lhe o pensamento, no qual se encontra como um homem forte amarrado, não haverá mais nada que não esteja conforme a Justiça de Deus.



O Espírito, em suas encarnações sucessivas, tendo-se despojado pouco a pouco de suas imperfeições e tendo-se aperfeiçoado através do trabalho, chega ao termo de suas existências corpóreas. Pertence então à ordem dos Espíritos puros ou anjos, é goza ao mesmo tempo da vida puramente espiritual e de uma felicidade sem mácula, por toda a eternidade.

Às vezes, o Espírito de uma criança morta em tenra idade, é bem mais adiantado do que o de um adulto, porque pode ter vivido muito mais e possuir maiores experiências, sobretudo se prÉ bastante frequente o Espírito de uma criança ser mais adiantado que o do seu pai ou mãe.

Estudo com base in “O LIVRO DOS ESPÍRITOS”,
questões de 197 à 199a.
obra codificada por Allan Kardec