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segunda-feira, 17 de novembro de 2014

DEUS E A DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA

A dignidade da pessoa começa no facto de poder realizar-se através de relações e opções na linha do amor.Os animais nascem determinados e não podem deixar de ser aquilo que a natureza lhes determinou 

As pessoas humanas, pelo contrário, podem escolher realizar-se de uma determinada maneira ou de outra muito diferente.


Podemos dizer que a dignidade da pessoa humana reside no facto de estar chamada a ser autora de si própria, a partir do que recebeu através dos outros.

É verdade que todos nós começámos por ser aquilo que os outros fizeram de nós. Com efeito, não escolhemos a raça, a nacionalidade, a língua ou o século em que queríamos nascer.

Estes dados são os talentos, isto é, a matéria-prima que recebemos para nos construirmos. No entanto, o mais importante não são os talentos que recebemos, mas a maneira como os realizamos.

Jesus diz que a felicidade das pessoas na Festa da Família de Deus depende da maneira como elas foram fiéis aos talentos recebidos.

Segundo o ensinamento de Jesus sobre os talentos a pessoa, ao chegar ao fim da realização histórica, será assumida e optimizada na Festa do Reino de Deus de acordo com o modo como foi fiel aos seus talentos.

Eis as palavras de Jesus: “A pessoa que no começo recebeu cinco talentos aproximou-se de Jesus e entregou outros cinco, dizendo:
“Senhor, tu entregaste-me cinco talentos. Aqui estão outros cinco que eu ganhei com eles.

O Senhor respondeu-lhe: “Muito bem, servo bom e fiel. Uma vez que foste fiel nas coisas comuns, muito te vou dar em troca: entra na festa da Vida e da comunhão com o teu Senhor!” (Mt 25, 20-21).

O punhado de talentos que recebemos à partida dá-nos a possibilidade de orientarmos a nossa realização segundo o que acharmos o melhor para nós.

Deus é autor de si mesmo, mas nunca recebeu possibilidades ou talentos de alguém. Deus é amor e o amor é causa de si mesmo.

A pessoa humana também está chamada a ser autora de si, mas a partir do amor que recebeu dos outros.

De facto, o ser humano não é capaz de amar antes de ser amado. Depois de ter sido amado, o ser humano já capaz de fazer maravilhas com o amor, isto é, os talentos que recebeu dos outros.
Podemos dizer que a maravilha da dignidade humana radica no facto de termos sido criados à imagem e semelhança de Deus.

Desde toda a eternidade que a família humana foi sonhada por Deus para pertencer à Família Divina.

Ainda a Terra não girava à volta do Sol. Ainda o Céu não era azul, nem existia ainda a luz do dia e já existia uma divindade constituída por três pessoas que tinha o plano de criar o Homem à sua imagem e semelhança e incorporá-lo na sua comunhão familiar.

Ser pessoa significa ter uma vida com uma qualidade imensamente superior à vida dos animais.
Na sua dimensão mais profunda, a vida pessoal é espiritual.
Emerge como vida livre, consciente, responsável e capaz de interagir com os outros numa comunhão de amor.

Isto significa que a vida pessoal humana é imortal e proporcional à vida das pessoas divinas.
Com efeito, a Humanidade é constituída por pessoas e a Divindade também.

É esta a razão pela qual as pessoas humanas estão convidadas a comungar com Deus. É por esta razão que Deus, ao criar o Homem, talhou-o para a comunhão com a Família Divina.

As pessoas divinas estão no início da Criação e as pessoas humanas surgem na cúpula do processo criador.

Por serem pessoas em construção, os seres humanos estão a caminhar para a plenitude do amor e da comunhão.

Quanto mais aprofundamos o mistério da pessoa humana, melhor vamos conhecendo o mistério de Deus.

A pessoa é tanto mais capaz de comungar com Deus quanto maior for a sua capacidade de amar.

Por se estar a estrutura como ser único, original, livre, responsável, e capaz de comunhão amorosa, ninguém pode substituir a pessoa na tarefa da sua realização.

Os outros podem facilitar a nossa realização pessoal, mas não podem colocar-se em nosso lugar. Nem o próprio Deus nos substitui na tarefa da nossa construção.

Só assim nos podemos realizar como pessoas livres, conscientes, responsáveis e capazes de comunhão amorosa.
Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias